--by Vanessa Loschiavo

Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC

5 de março de 2020 by Vanessa Loschiavo
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O TOC é um distúrbio psiquiátrico caracterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões.
Obsessões são pensamentos, ideias, imagens ou impulsos que são recorrentes, intrusivos e indesejados, gerando grande sofrimento e ansiedade. Em geral, são pensamentos que entram na mente do indivíduo de forma repetitiva, sendo que este tenta resistir, sem sucesso. São reconhecidos como pensamentos do próprio indivíduo. O paciente tenta amenizar o sintoma com outro pensamento ou ações que são as compulsões. As obsessões podem ter diversos conteúdos, como: agressão, sexo, religião, simetria ou ordenação, contaminação ou ligadas a colecionar algo.

As compulsões são comportamentos repetitivos que ocorrem em resposta de um pensamento obsessivo, na tentativa de alívio ou prevenção de sofrimento que a obsessão gera. As compulsões podem ser ações de: limpeza (como lavagem de mãos), verificação ou checagem, ordenação e arrumação, contagem e simetria ou lateralidade (arrumar objetos).
Pessoas portadores da doença descrevem muitas vezes fenômenos sensoriais que são sensações ou percepções físicas desconfortáveis que surgem antes ou acompanham os comportamentos repetitivos. Esses fenômenos sensoriais ocorrem mais frequentemente em quadros de início precoce, ou seja na infância ou adolescência. Esses sintomas mais frequentes são: sensações físicas desconfortáveis em músculos, ossos ou órgãos internos, muitas vezes sentem vontade de estralar o corpo; necessidade que tudo ao seu redor esteja em ordem, precisa arrumar ou tocar em objetos ou pessoas; sensação de incompletude, assim tem a necessidade de realizar alguma compulsão para alívio e corrigir esta sensação; sensação de energia acumulada, assim a compulsão surge para descarga; percepção de ter que fazer as compulsões.

Pacientes com TOC apresentam grande sofrimento, pois frequentemente esses sintomas aprisionam a vontade, a liberdade de escolha. Eles apresentam rituais que atrapalham muito na vida cotidiana, seja no trabalho, na escola ou nas relações, pois são incomodados pelos pensamentos intrusivos e pelas compulsões, gerando constrangimento, ou isolamento. Os pacientes tentam controlar os sintomas, principalmente compulsivos em ambientes públicos, o que traz grande estresse, ou são distraídos pelos pensamentos obsessivos. A depender da gravidade podem tender ao isolamento e ter dificuldade em conviver em sociedade, pois o trabalho e as exigências da vida, muitas vezes, são incompatíveis com a doença na sua forma mais grave.

O TOC pode ter início na infância, adolescência, ou pode se manifestar somente na fase adulta. Quando tem início mais precoce, apresenta algumas características diferentes, como apresentar mais compulsões do que obsessões; ter mais frequentemente percepções sensoriais; é comum serem quadros mais graves, com mais comorbidades e as compulsões são mais semelhantes aos tiques.
O diagnóstico na infância é mais difícil, pois as crianças não falam de seus rituais e pode ser confundidos com brincadeiras. Quando os sintomas são mais graves é que os pais buscam o profissional da área da saúde para entender melhor o que está ocorrendo com a criança. É comum a criança buscar a arrumação de seu quarto, não deixar outras crianças brincarem com seus brinquedos, ter dificuldade na socialização, porque necessitam ter um ritual na brincadeira que não é aceito por outras crianças, o que pode deixá-la irritada. É frequente a criança querer que seus pais participem de seus rituais na confirmação de algo ou na arrumação, ou não deixando que toquem em seus materiais, gerando assim grande desconforto e desequilíbrio no lar.

Na fase adulta, o indivíduo tenta minimizar os sintomas no trabalho ou em local de estudo, o que causa grande ansiedade, ou tenta disfarçá-los. Tem a percepção que aquele sintoma, ritual ou compulsão estão fora do contexto, porém precisam realizá-los para sentirem alívio. Assim, os sintomas são muito mais proeminentes em casa e muitas vezes, sentem-se constrangidos até com seus familiares que não aceitam ou contestam os rituais e compulsões. A depender da gravidade esses sintomas vão levando muito tempo para serem realizados o que faz com que se atrasem para compromissos, não aceitem trabalhos a depender de algum pensamento obsessivo. A realização de rituais de limpeza, por exemplo, o banho, pode estar repleto de rituais que levam a demorar muito tempo para finalizar o banho, o que se torna incompatível com seu cotidiano, assim o paciente começa a tomar banho cada vez menos, para não se submeter a esses rituais.

O TOC pode ter a predominância de pensamentos obsessivos, de atos compulsivos ou ser um quadro misto, apresentando ambos sintomas. É frequente o paciente apresentar ansiedade, como também sintomas depressivos. As limitações geradas pelo TOC podem gerar um quadro secundário de depressão.

A busca pelo tratamento é muito importante para não permitir a cronificação do quadro, o que pode dificultar o tratamento. Os medicamentos antidepressivos são de primeira escolha para tratar o TOC, e em geral, apresentam boa resposta clínica. É fundamental a abordagem psicoterápica em paralelo com o tratamento medicamentoso, o que propicia maior evolução e uma base mais segura na medida em que aborda causas, e fornece instrumentos para o paciente lidar com seus sintomas, para que em algum momento se liberte deles.

Dra. Vanessa Calhiarani Loschiavo
Psiquiatra e Psicoterapeuta
www.essenciadamente.com.br

Vanessa Loschiavo
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